Endometriose e Qualidade de Vida

O Dr. José Reis participou como orador convidado na 204ª Reunião da
Sociedade Portuguesa de Ginecologia

O Dr. José Reis participou como orador convidado na 204ª Reunião da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, que decorreu de 7 a 8 de Junho de 2024, onde abordou o tema Endometriose e Qualidade de Vida.
O conceito de Qualidade de Vida em a saúde engloba a condição física, a saúde mental e o bem-estar social. A Endometriose tem impacto negativo na Qualidade de Vida da mulher principalmente pela sua ligação à dor, nas diferentes formas de apresentação e aos problemas de Fertilidade
A Dor da Endometriose limita substancialmente a Qualidade de Vida na medida em que:

  • Limita as atividades diárias
  • É um fator condicionante de stress
  • Leva a deterioração da qualidade do sono
  • Associa-se a comorbidades psicológicas, como ansiedade e depressão
  • Tem impacto na função sexual, com efeito direto na relação com o parceiro
  • Conduz a redução da atividade social e isolamento social
  • Leva a perda de produtividade e do rendimento associado

O diagnóstico de endometriose demora em média 4 a11 anos após o início dos sintomas, isto apesar de 60% das doentes começarem com queixas na adolescência. Os sintomas muitas vezes são inespecíficos o que leva a consultas de várias especialidades médicas e 50% das doentes foram previamente diagnosticadas como “não tendo qualquer doença”.
Com isto, duas questões se colocam:

  • Porque é que as queixas da Endometriose são tão difíceis de avaliar?
  • Por que motivo um diagnóstico mais precoce não é possível?

O atraso no diagnóstico tem consequências negativas na saúde da mulher:

  • Os sintomas persistentes têm impacto prejudicial na qualidade de vida
  • A progressão da doença pode comprometer a fertilidade
  • Pode ocorrer sensibilização central (a dor persistente amplia a perceção da dor, mesmo em locais não relacionados anatomicamente com a lesão e risco de evolução para dor pélvica crónica)

  • E não menos importante, leva a um desgaste natural da relação médico/doente

Quando a dor ocorre repetidamente esta é classificada como “ameaçadora”. A modulação ao nível da medula espinhal não reduz o sinal, mas amplia-o. A liberação de neurotransmissores é alterada e vários mecanismos moduladores são acionados: o campo nociceptivo é ampliado. É a chamada sensibilização central da dor que explica a dor intensa em algumas doentes, sem achados patológicos evidentes. Desta forma é essencial oferecer terapêutica para alívio
da dor. A terapêutica para a dor nociceptiva pode passar por anti-inflamatórios não esteróides numa fase inicial, mas em casos mais complexos de dor crónica é necessária uma abordagem mais diferenciada, com recurso por exemplo a moduladores dos neurotransmissores, antidepressivos tricíclicos ou inibidores de recaptação da serotonina. A fisioterapia e a psicoterapia podem também ser úteis nestes casos.

Endometriose José Reis escreve revista LUX

O impacto negativo da endometriose na qualidade de vida da mulher relaciona-se principalmente com a dor, nas suas diferentes formas de apresentação e com os problemas de fertilidade.

Dr. José Reis
2024-07-01T14:36:16+01:00July 1st, 2024|Blog|
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