Endometriose: a importância da abordagem multidisciplinar

O Dr. José Reis esteve presente na mesa Redonda em modo podcast, gravada ao vivo no congresso 2025 Nutrition Insights na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Nesta sessão o foco foi a abordagem multidisciplinar da endometriose. Além do Dr. José Reis participaram também a Nutricionista Catarina Paixão, a Psicóloga Débora Água-Doce, a Fisioterapeuta Inês Valente, a Fisiologista do Exercício Mafalda Antunes e a Presidente da MulherENDO, Susana Fonseca. A mesa foi moderada pela Prof. Inês Santos do Laboratório de Nutrição, Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e pela autora do podcast PodEndo, Inês Rosete.

A endometriose é uma doença inflamatória crónica que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizando-se pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Esta patologia pode levar a dor pélvica intensa, dor nas relações sexuais, infertilidade e impacto significativo na qualidade de vida. Devido à sua complexidade e aos diversos sistemas que pode afetar, a abordagem multidisciplinar é essencial para garantir um tratamento eficaz e integral. Entre as principais valências envolvidas no acompanhamento das mulheres com endometriose destacam-se a ginecologia, a nutrição, a fisioterapia, a fisiologia do exercício e a psicologia.

Diagnóstico

O ginecologista é o profissional de saúde central no diagnóstico e tratamento da endometriose. Cabe-lhe identificar sinais e sintomas, realizar exames clínicos e solicitar exames complementares, como a ecografia e a ressonância magnética, fundamentais para a confirmação do diagnóstico. O tratamento pode envolver abordagem medicamentosa, cirúrgica ou ambas. A terapêutica hormonal é frequentemente utilizada para controlar a progressão da doença e aliviar os sintomas, enquanto a cirurgia minimamente invasiva é recomendada nos casos mais graves, especialmente quando há comprometimento de órgãos adjacentes.  Para além do tratamento médico e cirúrgico, é crucial que o ginecologista trabalhe em parceria com outros profissionais de saúde, dada a natureza multifatorial da doença. O encaminhamento para outras valências é essencial para garantir que todas as dimensões da endometriose são abordadas.

Importância da Nutrição

A alimentação desempenha um papel fundamental na regulação da inflamação e na gestão dos sintomas da endometriose. A nutrição anti-inflamatória, baseada na redução do consumo de alimentos ultraprocessados, carnes vermelhas e laticínios, bem como no aumento da ingestão de frutas, vegetais, ómega-3 e fibras, pode contribuir para a diminuição da dor e do processo inflamatório.   A intolerância a determinados alimentos, como o glúten e os lacticínios, tem sido apontada por algumas pacientes como um fator agravante dos sintomas. O nutricionista pode ajudar na identificação de sensibilidades alimentares e na elaboração de um plano alimentar personalizado, adaptado às necessidades individuais de cada mulher. Para além disso, a manutenção de um peso corporal adequado é importante, uma vez que o tecido adiposo está envolvido na produção de estrogénio, hormona que pode influenciar a progressão da endometriose.

O papel da fisioterapia

A fisioterapia pélvica é uma valência essencial no controlo dos sintomas da endometriose, especialmente para mulheres que sofrem de dor pélvica crónica, dispareunia (dor durante as relações sexuais) e disfunções do pavimento pélvico. As técnicas utilizadas incluem terapia manual, relaxamento miofascial, eletroestimulação, biofeedback e exercícios terapêuticos. Estes métodos ajudam a reduzir a tensão muscular e melhorar a mobilidade dos tecidos afetados.   Além disso, a fisioterapia pode contribuir para a melhoria da função intestinal e da bexiga, uma vez que muitas mulheres com endometriose apresentam sintomas gastrointestinais e urinários associados. A educação da paciente sobre a sua condição, bem como a implementação de estratégias para gestão da dor, são componentes essenciais desta abordagem.

A contribuição da fisiologia do exercício

A prática regular de exercício físico é uma estratégia eficaz para o controlo da dor e da inflamação na endometriose. O fisiologista do exercício pode desenvolver programas personalizados que promovam o fortalecimento muscular, a flexibilidade e a mobilidade, sem agravar os sintomas da doença. Exercícios de baixo impacto, como pilates, yoga e caminhadas, são frequentemente recomendados.   A atividade física contribui para a regulação hormonal, a redução dos níveis de stress e a melhoria da circulação sanguínea, fatores que podem ajudar no alívio dos sintomas da endometriose. Para além disso, a libertação de endorfinas durante o exercício pode ter um efeito analgésico natural, reduzindo a necessidade de medicação para o controlo da dor.

O impacto da psicologia

A endometriose tem um impacto significativo na saúde mental das pacientes. A dor crónica, a infertilidade e as limitações impostas pela doença podem levar a ansiedade, depressão e stress emocional. O psicólogo desempenha um papel fundamental no suporte psicológico, ajudando as mulheres a lidar com os desafios emocionais e sociais decorrentes da endometriose.   Terapias cognitivo-comportamentais têm mostrado eficácia na gestão da dor crónica, permitindo que as pacientes desenvolvam estratégias para enfrentar e reduzir o impacto da dor na sua vida quotidiana.   Para além disso, grupos de apoio e terapia de grupo podem ser benéficos, promovendo a partilha de experiências e o suporte entre mulheres que enfrentam desafios semelhantes.

Endometriose José Reis escreve revista LUX

O diagnóstico precoce da endometriose continua a ser um dos maiores desafios. A consciencialização e a aposta em estratégias inovadoras, como biomarcadores moleculares, são cruciais para transformar a realidade destas pacientes.

Dr. José Reis

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2025-03-11T16:08:40+01:00March 11th, 2025|Blog|
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