O Prof. José Reis, especialista em ginecologia e endometriose e colaborador da Clínica Jardim das Amoreiras, participou recentemente numa reunião científica da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, inteiramente dedicada à endometriose, uma doença crónica que afeta um número significativo de mulheres em idade reprodutiva.
Este encontro reuniu especialistas de todo o país com o objetivo de atualizar o conhecimento clínico e cirúrgico na abordagem da endometriose, à luz da evidência científica mais recente e da evolução verificada desde a publicação dos últimos consensos nacionais.
Atualização científica em endometriose e risco oncológico
Entre os temas em destaque esteve a relação entre endometriose e risco de cancro do ovário, uma questão que tem suscitado crescente interesse na comunidade médica. Durante a sua intervenção, o Prof. José Reis explicou que estudos publicados nos últimos anos apontam para um aumento do risco relativo de cancro do ovário em mulheres com endometriose.
No entanto, reforçou que o risco absoluto permanece baixo, não existindo indicação para intervenções cirúrgicas com finalidade exclusivamente preventiva. Esta distinção é fundamental para evitar decisões clínicas desproporcionadas e para garantir uma abordagem baseada na evidência.
Quando está indicada a cirurgia na endometriose
O Prof. José Reis sublinhou que a cirurgia deve ser reservada para situações em que existe impacto significativo na qualidade de vida da mulher, nomeadamente:
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dor persistente e refratária ao tratamento médico
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infertilidade associada à endometriose
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envolvimento de órgãos com repercussão funcional relevante
Cada caso deve ser avaliado de forma individualizada, tendo em conta os sintomas, os objetivos reprodutivos e as características da doença.
Importância da estratificação de risco
Durante a reunião foi igualmente destacada a importância da estratificação de risco na endometriose, considerando os diferentes tipos da doença, como:
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endometriose ovárica
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endometriose profunda
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endometriose com envolvimento intestinal ou de outros órgãos
Alguns estudos sugerem um risco potencialmente superior em mulheres com endometriomas de maior dimensão e com características imagiológicas específicas. No entanto, os dados atuais ainda não permitem conclusões definitivas, reforçando a necessidade de acompanhamento especializado e vigilância adequada.
Relevância dos encontros científicos
O Prof. José Reis salientou ainda a importância destes encontros científicos na divulgação de novas abordagens terapêuticas e técnicas cirúrgicas, que têm evoluído de forma significativa na última década. Esta partilha de conhecimento contribui para cuidados cada vez mais especializados, personalizados e centrados na mulher, em particular no tratamento da endometriose.
“Têm surgido muitos artigos, sobretudo na última década, que apontam para uma ligação entre as mulheres que têm endometriose e um risco aumentado de cancro. Existem estudos para todos os gostos, digamos assim. Mas, no geral, o risco relativo de cancro aumenta nas mulheres com endometriose. Apesar desse risco estar aumentado, o risco absoluto final continua baixo. Não há indicação para fazermos cirurgia só com o intuito de reduzir o risco de cancro do ovário, mas sim para melhorar os sintomas por questões de infertilidade.”
