Nova publicação científica destaca o papel da terapêutica superficial pelo calor na dor associada à endometriose O Prof. José Reis é um dos coautores do artigo científico “Superficial Heat Therapy in Women’s Health”, recentemente publicado na revista Frontiers in Medicine.

Esta publicação resulta de uma colaboração internacional entre especialistas em Ginecologia e Obstetrícia e analisa a evidência científica disponível sobre a utilização da terapêutica superficial pelo calor no tratamento da dor em diferentes fases da vida da mulher, com especial destaque para a dor associada à endometriose.
Terapêutica pelo calor na endometriose: o que revela a evidência científica
Embora a aplicação de calor seja utilizada há décadas para aliviar a dor, a investigação científica tem vindo a demonstrar de forma cada vez mais consistente os seus benefícios.
Segundo a revisão publicada na Frontiers in Medicine, a aplicação controlada de calor pode:
- promover a vasodilatação;
- melhorar a microcirculação;
- reduzir a tensão muscular;
- modular os mecanismos de transmissão da dor;
- contribuir para uma diminuição da intensidade da dor pélvica.
Trata-se de uma estratégia terapêutica simples, segura, acessível e não invasiva, que pode complementar os tratamentos médicos convencionais.
Endometriose: uma das principais causas de dor pélvica crónica
A endometriose é uma doença inflamatória crónica que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva e constitui uma das principais causas de dor pélvica crónica, absentismo laboral e diminuição da qualidade de vida.
Apesar de o tratamento da endometriose incluir habitualmente terapêutica hormonal e, em muitos casos, cirurgia, uma percentagem significativa de mulheres continua a apresentar sintomas persistentes.
Por esse motivo, existe um interesse crescente em estratégias complementares que possam ajudar no controlo da dor, sem substituir os tratamentos médicos ou cirúrgicos.
Como pode o calor aliviar a dor da endometriose?
O artigo explica que a aplicação local de calor desencadeia vários mecanismos fisiológicos que contribuem para reduzir a dor:
- aumento do fluxo sanguíneo local;
- redução da acumulação de mediadores inflamatórios;
- relaxamento muscular;
- ativação dos mecanismos centrais e periféricos de modulação da dor.
Estes efeitos podem traduzir-se numa melhoria significativa do conforto durante os episódios dolorosos e contribuir para uma melhor qualidade de vida das mulheres com endometriose.
Uma estratégia complementar ao tratamento da endometriose
Os autores salientam que a terapêutica superficial pelo calor não substitui o tratamento da endometriose, mas pode integrar uma abordagem multidisciplinar orientada para o controlo da dor.
A revisão identifica ainda que muitas mulheres recorrem espontaneamente ao calor como forma de autocuidado e que esta é uma das estratégias não farmacológicas mais valorizadas pelas próprias doentes.
Entre as modalidades descritas encontram-se:
- pensos térmicos de utilização prolongada;
- almofadas térmicas;
- bolsas de água quente;
- outros dispositivos concebidos para aplicação segura de calor superficial.
Mais investigação para melhorar o tratamento da endometriose
Os autores concluem que a terapêutica superficial pelo calor representa uma opção segura, acessível, não invasiva e de baixo custo para complementar o tratamento da dor em diversas áreas da saúde da mulher.
Contudo, defendem a realização de novos estudos clínicos que permitam definir protocolos mais consistentes e reforçar a evidência científica disponível.
A participação do Prof. Dr. José Reis nesta publicação integra a sua atividade de investigação dedicada à endometriose, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas baseadas na evidência científica e para uma melhoria contínua dos cuidados prestados às mulheres afetadas por esta doença.
>Pode ler o artigo aqui<
Revisão internacional publicada na Frontiers in Medicine demonstra que a terapêutica superficial pelo calor pode constituir uma estratégia complementar segura e eficaz no controlo da dor associada à endometriose. O Dr. José Reis integra a equipa internacional de autores deste trabalho.
